** Por Lacy Baugher para o Collider | Tradução DPBR

É seguro dizer que a transformação de Caitlin Snow em seu alter ego dos quadrinhos, Killer Frost, foi um dos eventos mais esperados de The Flash. No entanto, também parece seguro dizer que a adição de seu alter ego gelado para a série frequentemente parece uma decepção, com tramas contraditórias, mudança de caracterização e falta de direção real. Até agora.

Pode ter muito pela frente, mas The Flash finalmente decidiu fazer o certo por um de seus personagens mais subutilizados, dando a Caitlin e Killer Frost um passado complicado de se considerar, um novo relacionamento para explorar e um futuro que, finalmente, parece bem aberto.

The Flash por muitas vezes tem lutado em como escrever Caitlin, dando-lhe pouco a fazer além de explicar procedimentos médicos ou namorar homens que morrem tragicamente ou se revelam malvados.

Embora a adição de Killer Frost tenha – finalmente – dado a Caitlin algumas histórias que não tem nada a ver com sua vida romântica, elas também não foram exatamente boas ou o que você chamaria de coerentes. A série teve dificuldade em explicar consistentemente até os conceitos mais básicos de personagens sobre Killer Frost, como de onde ela veio, como sua conexão com sua hospedeira funcionava ou o porquê seus poderes pareciam corromper Caitlin toda vez que eram usados. Ela era uma vilã? Uma anti-heroina? Uma parasita? Um aspecto suprimido da personalidade de Caitlin? Ou algo entre todas essas coisas? A resposta muitas vezes mudou dependendo de qual episódio você estava assistindo.

Nós vimos Killer Frost se aliar com o velocista malvado Savitar, tentar matar seus próprios amigos e trabalhar como negociante para um mercado ilegal de metahumanos. No entanto, também testemunhamos Caitlin lutando para suprimir seus poderes e o lado mais sombrio de si mesma que Killer Frost frequentemente representava. A caracterização dessas mulheres era uma completa bagunça, e uma que The Flash parecia completamente incapaz – e muitas vezes desinteressado – de consertar.

Embora certamente valha a pena debater exatamente o quanto de desserviço The Flash acabou fazendo tanto com Caitlin e com Killer Frost ao ignorar, retrabalhar e estragar completamente a adição de Frost à história, a série merece elogios por finalmente tentar corrirgir alguns de seus erros anteriores.

Apesar da decisão de apagar Killer Frost da vida de Caitlin no final da 4ª temporada parecesse meio aleatória na época, acabou fornecendo uma espécie de suave reinício para ela e sua história. The Flash finalmente se comprometeu com algo parecido com um arco para ambas as mulheres, o que incluiu uma história com um passado definível, um caminho claro para o futuro, e algumas respostas reais sobre quem é Frost e como ela e Caitlin podem coexistir.

A existência de Killer Frost não foi resultado da explosão do acelerador de partículas ou causada pelo Flashpoint. Ela sempre foi uma parte de Caitlin, devido aos assustadores experimentos médicos de seu pai. Embora essa revelação tenha sido certamente uma reviravolta sombria, ela fez muito mais sentido do que algumas das outras opções que a série oscilou ao longo dos anos. E finalmente definindo a história de Killer Frost, The Flash abriu um caminho para a personagem se mover completamente para o futuro.

De maneira esperta, a série não trouxe Killer Frost de volta imediatamente após seu desaparecimento induzido por Thinker, permitindo assim a busca de Caitlin por uma maneira de trazê-la de volta dominar os primeiros episódios da 5ª temporada. Pela primeira vez nesta história, sua personagem tinha uma ação real e tinha permissão de escolher seu próprio destino. Em todas as versões anteriores da saga de Killer Frost, Caitlin não teve muita escolha em relação aos seus poderes. Dessa vez, as forças externas não estão dirigindo as coisas – ela mesma está. Caitlin quer Killer Frost de volta em seus próprios termos porque ela valoriza o relacionamento que as duas construíram juntas. Ela quer procurar seu pai e encarar o seu passado porque vê Frost como uma parte valiosa tanto de quem ela é agora, como da mulher que ela está se tornando.

Além disso, The Flash parece ter percebido que precisamos ver um pouco dessa transformação por nós mesmos – e isso está fazendo uma grande diferença para ambas as personagens. Caitlin e Killer Frost começaram a construir um elo na 4ª temporada, mas o relacionamento delas em grande parte se desenvolveu fora da tela e havia muito mais sendo revelado do que mostrado quando se tratava de detalhes. O aspecto da dupla personalidade de sua conexão sempre foi algo particularmente complicado, especialmente quando The Flash lutou para ser consistente em detalhes básicos, como se as duas compartilhavam memórias, ou se Caitlin precisava sentir medo para Killer Frost aparecer.

Para seu crédito, a 5ª temporada fez questão de nos mostrar a crescente conexão de Caitlin e Killer Frost ao longo de vários episódios. Ao invés de ouvir falar de Frost passando um tempo com outros membros da equipe Flash enquanto Caitlin não está por perto, nós realmente vimos eles conversando entre si. E em vez de tratar a personagem como uma “colega de quarto malvada” que compartilha o seu corpo e não aparece na tela, The Flash começou a nos mostrar tanto Caitlin quanto Killer Frost resolvendo problemas – até discordâncias – juntas. Isso não só ajudou Frost a parecer mais como parte integrante do time Flash – ao invés de apenas um músculo frio -, mas nos deu uma visão mais sutil de sua conexão com sua metade. A insistência de Killer Frost de que ela apenas quer proteger ‘Caity’ do perigo é uma motivação surpreendentemente doce para sua atitude agressiva, enquanto Caitlin (que antes temia seus poderes e a escuridão que vinha junto com eles) aprendeu a aceitá-los como parte de si mesma.

Há perguntas das temporadas anteriores sobre as duas que provavelmente nunca saberemos as respostas? Sim, absolutamente. E isso é extremamente irritante. Mas, pela primeira vez em muito tempo, parece que Caitlin e Killer Frost são uma parte integral da história que está acontecendo em algum lugar. A origem de Frost, livre de matéria escura, a coloca no centro da batalha contra o vilão da 5ª temporada, Cicada; enquanto a decisão de Caitlin de ajudar Cisco a desenvolver uma cura para metahumanos foi em grande parte motivada por querer proteger àqueles com os mesmos poderes que um dia ela temeu. Ambas personagens de alguma forma possuem um propósito que não tiveram antes (ou honestamente, nunca teve, no caso de Killer Frost) e é tremendamente emocionante de assistir, assim como uma grande melhora em relação às temporadas anteriores. A 5ª temporada não corrigiu todos os problemas relacionados a Caitlin, com certeza. Mas, certamente parece que está no caminho.

** Esse texto é um artigo de opinião, escrito por Lacy Baugher para o Collider.

Fonte: Collider

Tradução por Danielle Panabaker Brasil